Autoridades de Sete Lagoas batalham para cidade não perder oncologia

Foto: Reprodução O Tempo/

Autoridades e técnicos de saúde de Sete Lagoas, na região Central de Minas, batalham para evitar o descredenciamento da área de oncologia do Hospital Nossa Senhora das Graças. Ele é o único da cidade que oferece tratamento contra o câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade passa pelo processo após o Ministério da Saúde fazer uma auditoria e verificar que a instituição não cumpria as exigências para ofertar o tratamento oncológico. A diretoria afirma que, dos 14 problemas apontados pela vistoria, dez já foram solucionados.

Com o descredenciamento do Nossa Senhora das Graças, o atendimento de oncologia de 35 municípios que integram a Microrregião de Saúde Sete Lagoas/Curvelo passaria para o Hospital Imaculada Conceição, em Curvelo, também na região Central. Uma das principais críticas é que o único hospital oncológico para atender uma população de 531 mil habitantes ficaria longe da cidade que mais demanda atendimento.

Atualmente, há 800 pacientes em atendimento contra câncer na unidade. Desse total, 567 são moradores de Sete Lagoas, o que representa quase 70% desse público. Com a mudança do atendimento para Curvelo, eles teriam que viajar 109 km para serem atendidos.

Inadequado. O diretor geral do Hospital Nossa Senhora das Graças, Cleber Amorim, afirma que a mudança para Curvelo não se justifica. “Curvelo desenvolveu uma unidade qualificada e competente para receber o tratamento oncológico. O problema é que a cidade não tem o contingente populacional que justifique que todos os serviços sejam concentrados lá”, afirmou.

A coordenadora da Gestão SUS do hospital, Aline Ituassu, admite que a instituição tinha setores a serem melhorados, mas diz que a situação já foi praticamente resolvida. “Dos 14 pontos de inconformidade, dez já foram solucionados. O principal problema é que, antes, o hospital não conseguia ofertar todo o tratamento para o paciente oncológico. Hoje, o tratamento é todo integral na unidade. Ampliamos nossas especialidades e, até julho de 2017, esperamos solucionar todos os pontos”, explicou.

 

Sem resposta

Governos. A Secretaria de Estado de Saúde informou que a decisão do descredenciamento foi do Ministério da Saúde, que não respondeu à reportagem até o fechamento desta edição.


SAIBA MAIS

Comparação. A cidade de Sete Lagoas tem uma população quase três vezes maior que a de Curvelo. São 234 mil moradores, contra 79 mil do outro município. Os dados são da última estimativa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016.

Exigência. Pelas regras do Sistema Único de Saúde (SUS), para ser habilitada a ofertar tratamento de oncologia, a unidade precisa abranger uma região que atenda no mínimo 500 mil pessoas. Somente em algumas áreas do Norte do país são permitidas duas unidades para atender menos que 500 mil pacientes.

 

Proposta é unir os municípios

Uma espécie de parceria entre as cidades de Sete Lagoas e Curvelo, na região Central, seria a solução para o problema enfrentado pelo Hospital Nossa Senhora das Graças. A proposta foi feita pelo deputado estadual Douglas Melo (PMDB) em reunião realizada no primeiro município, na tarde dessa quarta-feira (19). Ele pretende encontrar-se nos próximos dias com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, para discutir a situação.

“São mais de 800 pacientes que podem perder seus tratamentos se tiverem que se deslocar para tão longe. Vamos propôr que Curvelo seja, sim, credenciada, mas que, para isso, Sete Lagoas não seja descredenciada. A ideia é colocar Sete Lagoas como um pé (complemento) de Curvelo, oferecendo quimioterapia. Os demais serviços da oncologia serão oferecidos em Curvelo”, afirmou.

 

O diretor geral do Hospital Nossa Senhora das Dores, Cleber Amorim, ponderou que o descredenciamento do setor de oncologia pode acarretar transtornos em todas as outras áreas da unidade, que tem 70% de seu financiamento proveniente do SUS.

“A oncologia gera toda uma estrutura de gestão clínica, com serviços cirúrgicos, atendimentos e exames especiais. Isso pode gerar um impacto em toda a estrutura assistencial de alta complexidade do hospital”. (MN)

 

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