
O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, afirmou, na manhã desta segunda-feira (16), que parte das autoridades municipais que estão em Israel chegaram à fronteira da Jordânia, para iniciar o retorno ao Brasil.
Entre os políticos que deixaram Israel nesta segunda estão o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), a vice-prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP).
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que é presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, disse haver 47 “convidados oficiais que Israel se responsabiliza por eles” – além dos gestores municipais, estão professores, técnicos, entre outros. Eles viajaram para Israel, antes do início da guerra com o Irã, para participar de uma série de encontros para conhecer tecnologias e serviços de segurança pública.
“Por questões de segurança, detalhes sobre o horário e o trajeto da comitiva não haviam sido divulgados previamente. A comitiva ultrapassou por ônibus a fronteira e está no país em deslocamento a outro ponto onde pegarão avião para retorno ao Brasil”, diz comunicado assinado por Ziulkoski.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), confirmou a chegada dos gestores municipais à fronteira da Jordânia.
“O grupo de prefeitos e demais autoridades municipais está no posto de fronteira do lado israelense e deve iniciar em breve o traslado à Jordânia. Serão recebidos por representantes da Embaixada do Brasil em Amã e por autoridades locais”, publicou Trad em sua conta no X.
“Os outros seis permanecem em Israel e se somam ao grupo do Consórcio Brasil Central, que reúne 22 autoridades estaduais, incluindo o governador de Rondônia. O Itamaraty trabalha com autoridades israelenses para viabilizar a retirada desse grupo nos próximos dias”, completou o senador.
Trad informou que a Comissão de Relações Exteriores também acompanha a situação de 56 brasileiros — entre jovens e adultos — em missão religiosa na Galileia. “Já solicitamos sua inclusão nas tratativas de repatriação. Trabalhamos para que todos voltem em segurança para casa.”
No domingo (15), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou em nota que o governo da Jordânia “já disponibilizou segurança” para recepcionar os brasileiros que acabem indo para o país como rota de fuga da guerra.
“A ministra Gleisi ligou neste domingo para o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião. Informou que o governo da Jordânia já disponibilizou segurança para recebê-los na fronteira, caso Israel autorize a viagem por terra com segurança”, diz a nota da ministra.
Já Viana disse que “os próximos passos serão a retirada de 35 convidados oficiais, que ainda estão em Tel-Aviv”. Segundo ele, autoridades israelenses analisam quais rotas são mais seguras, entre as que levam à fronteira com o Egito e com a Jordânia.
Viana disse ainda ter pedido ao governo de Israel um levantamento sobre o número de brasileiros residentes e turistas que estão no país e têm a intenção de deixá-lo imediatamente. “A intenção é organizar com o Itamaraty um plano de resgate desses brasileiros”, afirmou o senador.
No sábado (14), nota divulgada pelo Grupo Parlamentar Brasil-Israel, assinada por Carlos Viana, falou em indignação contra o governo brasileiro por supostamente estar alinhado ao governo do Irã.
“Causa indignação a postura do atual governo do Brasil, que, mais uma vez, escolhe se alinhar aos que disseminam o terror, em vez de se posicionar firmemente ao lado das nações livres e democráticas”, diz o comunicado.
“A posição do governo brasileiro, inclusive, prejudica e atrasa as negociações para a retirada das comitivas brasileiras que se encontram em solo israelense”, acrescenta.