
O padeiro e o dono da padaria onde uma família de Sete Lagoas comprou uma torta de frango contaminada, no bairro Serrano, Região da Pampulha, em Belo Horizonte, foram indiciados por lesão corporal culposa e homicídio culposo — quando não há intenção de matar. A informação foi confirmada pela Polícia Civil em coletiva de imprensa na manhã desta quarta-feira (27).
Segundo a delegada Elyenni Célida, da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor, a investigação concluiu que houve intoxicação pela toxina botulínica — bactéria causadora do botulismo. A idosa Cleuza Maria, de 75 anos, morreu em 27 de maio, enquanto o casal Fernanda Isabel, sobreviveu após ficar internado em estado grave e, cerca de dois meses depois, recebeu alta hospitalar.
“A contaminação foi decorrente da ingestão de um alimento impróprio para consumo — uma torta de frango adquirida no mesmo dia”, afirmou a delegada.
Irregularidades
A investigação apontou falhas graves no funcionamento da padaria. “Havia muitas irregularidades: alimentos não estavam devidamente acondicionados, havia mistura de produtos crus com prontos, recipientes destampados e ausência de refrigeração adequada”, detalhou Elyenni.
Ainda segundo a polícia, o padeiro responsável pela produção da torta tinha apenas cinco dias de trabalho, sem registro formal, carteira assinada ou dados básicos cadastrados pelo dono. “Eles sequer sabiam a qualificação do próprio padeiro. Isso demonstra descaso em um local que comercializa alimentos”, ressaltou a delegada.
Ambos foram indiciados com base na Lei 8.137, artigo 7º, inciso IX, que trata da comercialização de produto impróprio para consumo.
Relembre o caso
No dia 21 de abril, Fernanda Isabella e José Vitor compraram uma torta de frango na Padaria Natália, no bairro Serrano, e levaram o alimento para a casa de Cleuza Maria.
Após perceberem que a torta apresentava sinais de deterioração, eles retornaram ao estabelecimento para devolução. No dia seguinte, os três passaram mal e foram internados em estado grave.
A padaria, que funcionava sem alvará sanitário, foi interditada pela Prefeitura de Belo Horizonte.