Professor de Sete Lagoas constrói Óculos de Realidade Virtual com papelão

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No ano de 2016, em uma roda de conversa realizada no Encontro Regional da Juventude, com a participação de alunos, professores e gestores de escolas da SRE Sete Lagoas e à luz dos desafios na educação atual, de repente um assunto intrigou, e muito, o professor de Geografia Washington Eloi Francisco.

O tema em questão era o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s) na escola. Diante da problemática apresentada, o professor buscou transformar a tecnologia em uma poderosa arma para despertar o interesse dos alunos, em sala de aula.

Enfrentando os Desafios

Washington é professor na Escola Estadual Ruth Brandão Azevedo, onde também exerce a função de vice-diretor. Segundo seu relato, durante a roda de conversa, vários aspectos foram levantados, como os prós e os contras do mundo digital, o uso do celular e sua relação com o cotidiano escolar, sobretudo na aprendizagem dos alunos.

Para ele, tudo se torna válido, desde que os devidos cuidados sejam tomados, evitando-se assim os excessos comuns a qualquer novidade. Talvez um dos maiores entraves se deve ao fato de muitos professores ainda não se sentirem totalmente preparados para esta realidade cada vez mais presente no contexto educacional, complementou o professor.

Frente o desafio de aliar a tecnologia à aprendizagem dos alunos e considerando seu desejo de fazer algo a respeito, o professor desenvolveu, literalmente, um novo olhar para o uso das tecnologias como ferramenta pedagógica.

“Comecei a imaginar como eu poderia usar o celular em sala de aula, sou professor de geografia, então pensei: não devo ter dificuldades. Pensei em fazer chamadas pelo celular, pensei em passar trabalhos mediante redes sociais, pensei em solicitar que os alunos fizessem pesquisas pelo celular em sala de aula, enfim… tentei ir por um caminho prático”.

O professor Washington mencionou que no início, tudo parecia meio chato e por isso precisava de algo mais cativante para os jovens estudantes do Ensino Médio. Daí veio o interesse por um anúncio de óculos de realidade virtual na internet. Pesquisando um pouco mais sobre o assunto, o professor descobriu que a Google havia disponibilizado um projeto de óculos para montar com papelão e lentes, que poderiam ser compradas pela internet mesmo.

“Rapidamente comprei um modelo e testei. Pesquisei os aplicativos disponíveis… então comprei as lentes necessárias, tudo com recursos do meu bolso, já que não havia meios de comprar pela Caixa Escolar.”

 

Da Teoria à Prática

Depois de pesquisar vários aplicativos interessantes como o streeth view da Google, aplicativos que possibilitam ao usuário a experiência de andar na superfície da lua ou mesmo fazer uma viagem pelo sistema solar, além de caminhar em eras jurássicas e até mesmo, participar de viagens submarinas com animações muito poderosas e com a experiência de visão em 360°, o professor e seus alunos partiram para a construção dos óculos, na perspectiva da metodologia “mão na massa”.

Com os moldes impressos, o passo seguinte foi combinar com os alunos para trazerem os papelões. Grupos foram formados e cada um recebeu uma ficha de relatório junto com lista de aplicativos, para que eles mesmos pudessem baixar em seus celulares e assim, ao utilizarem os óculos, os alunos passaram a ter suas próprias experiências.

”Eu programei uma sequência de três aulas incríveis entre a montagem dos  óculos pelos alunos e o seu uso. Gratificante ver quando eles chegam a agradecer, pois achavam que isso era uma coisa possível somente pagando em shoppings ou comprando óculos caríssimos que são vendidos em lojas de smartphones.” 

Com a compra de quinze pares de lentes e a construção dos óculos virtuais, Washington reuniu condições para desenvolver a prática com seus alunos. Quando da confecção dos óculos, o professor já combinou com sua turma que após a utilização, os óculos ficariam para uso comum de todos os alunos,  já pensando em difundir essa experiência exitosa para outras turmas, oportunizando aos alunos novatos a mesma vivência.

Enfatizou que para adolescentes de periferia, a experiência foi incrivelmente positiva, pois utilizou tecnologias que estavam ao alcance das mãos deles, de maneira mais didática e no intuito de abrir as suas mentes, pois desta vez, o uso do celular em sala de aula não foi para verificar redes sociais ou para escutar músicas da moda, e sim, para uma aula guiada e muito proveitosa.

Como professor de Geografia, Washington acredita que os objetivos foram alcançados, pois os alunos entenderam como é ir a Time  Square pelo Streeth View ou ao Coliseu Romano… entenderam sobre o sistema solar em uma viagem espacial… aprenderam física pelas lentes biconvexas para juntar a imagem que é dividida em duas telas no celular… tiveram que se virar nos aplicativos em inglês e treinaram escrita em relatório, descrevendo tudo que vivenciaram, concluiu.

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