Corpo de fisiculturista morto em boate é enterrado em Sete Lagoas

Enterro ocorreu sob indignação, em Sete Lagoas. Informações obtidas por familiares reforçam tese de assassinato. IML não confirma

Centenas de pessoas prestaram as últimas homenagens ao fisiculturista (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press)

Emocionados e ao mesmo tempo indignados, parentes e amigos acompanharam o sepultamento do corpo do fisiculturista e estudante de educação física Allan Guimarães Pontelo, que tinha 25 anos e morreu, na madrugada de sábado, na boate Hangar 677, em Belo Horizonte. O jovem foi sepultado em sua terra, no cemitério Santo Helena, em Sete Lagoas sua terra natal.

A morte do rapaz é recheada de mistérios. O chefe da segurança da boate alegou que o rapaz foi abordado sob suspeita de negociar drogas no interior do estabelecimento, sofrendo parada cardíaca. Foi socorrido, mas não resistiu. Já um amigo que estava com o jovem afirmou que o fisiculturista foi levado a uma área restrita por seguranças, onde foi espancado.

O pai de Allan, o técnico em eletrônica Dênio Luiz Pontelo, de 47, disse que o corpo do filho apresentava lesões graves, como afundamento de crânio e dentes quebrados, o que, para os parentes, aumenta a hipótese de que houve agressões. Dênio disse que obteve essas informações ao ver o corpo e conversar tanto com um médico do Instituto Médico-Legal (IML) quanto com funcionários da funerária. O IML, por sua vez, não confirmou a versão do pai.

Foto: Reprodução do Facebook.

A empresa confirmou que teve dificuldades em preparar o corpo, devido a um afundamento de crânio, além de fraturas no nariz, em uma das vértebras do pescoço e dois dentes quebrados. “Tenho certeza de que meu filho foi assassinado. Não tem nada de overdose, e aquelas drogas (recolhidas pela Polícia Militar no local) foram uma armação para poder forjar o que os seguranças fizeram. Esse menino é o cara mais espetacular que eu conhecia, meu filho era uma pessoa muito boa. O que fizeram foi tortura até matar”, acusou Dênio.

Ele disse que viu o corpo do filho chegou ao IML de BH com muitos hematomas nas costas. “(Um médico me) falou que meu filho pode ter sido asfixiado”, afirma. A reportagem entrou em contato com o plantão do IML, que não avalizou a informação.

O delegado Matheus Cobucci, chefe da Divisão de Crimes Contra a Vida da Polícia Civil, unidade que ficará responsável pela apuração do caso, disse que essas informações dependem do laudo de necrópsia, que deverá ser concluído em 30 dias.

Um funcionário da funerária informou ao portal Em.com.br que a empresa teve “bastante trabalho” no preparo do corpo para o sepultamento, pois houve afundamento no crânio do jovem. Allan teve dois dentes quebrados e fraturas no nariz e numa das vértebras do pescoço.

Já o advogado Ércio Quaresma, contratado pela CY Security, empresa que presta serviços de segurança à Hangar, disse que acusações como estas não devem ser feitas sem a confirmação de exames do IML: “Eu só vou poder falar qualquer coisa quando tiver acesso ao laudo”.

Em nota, a boate reforçou a versão do chefe da segurança: “(Os vigias) foram alertados sobre um jovem suspeito de fazer uso de drogas no banheiro do local. Ao ser abordado, o jovem reagiu e tentou fugir, mas foi conduzido para fora do evento, quando desmaiou. Ele foi imediatamente socorrido e conduzido ao posto médico de plantão, que conta, inclusive, com UTI Móvel. Todos os esforços médicos possíveis foram utilizados no sentido de reanimá-lo”.

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