
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça a responsabilização solidária da delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, 47 anos, que confessou ter matado o gari Laudemir de Souza Fagundes, 44 anos, em Belo Horizonte.
O pedido, feito nesta terça-feira (19/8), solicita ainda o bloqueio de até R$ 3 milhões em bens do casal, para garantir eventual indenização aos familiares da vítima. Segundo o MP, a arma usada no crime, uma pistola calibre .380, e o veículo conduzido pelo empresário pertencem à delegada, o que justificaria sua inclusão como corresponsável.
“Para assegurar eventual ressarcimento aos familiares da vítima, o Ministério Público de Minas Gerais requereu à Justiça a indisponibilidade dos bens do empresário e de sua esposa”, afirmou a Promotoria.
Confissão do crime
Na segunda-feira (18/8), durante novo interrogatório no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Renê confessou ter atirado contra o gari após uma discussão de trânsito. Inicialmente, ele havia negado a autoria.
O empresário afirmou que a esposa não sabia que ele havia se apoderado da arma particular dela. Exames confirmaram que a pistola registrada em nome da delegada foi a mesma usada para matar Laudemir.
Dinâmica do crime
O homicídio ocorreu na manhã de 11 de agosto, no bairro Vista Alegre, região Oeste da capital mineira. Um caminhão de coleta de lixo estava parado quando o suspeito, em um carro BYD cinza, teria ameaçado a motorista e, em seguida, atirado contra Laudemir, que trabalhava na coleta.
O gari foi atingido na região do tórax e não resistiu. Após o disparo, Renê fugiu, mas foi preso ainda no mesmo dia em uma academia de alto padrão, no bairro Estoril, onde malhava normalmente, como se nada tivesse ocorrido.
Ação do MP e investigação contra a delegada
Além do bloqueio de bens, o MPMG argumenta que o padrão de vida do casal e sua trajetória profissional indicam capacidade financeira para arcar com indenizações. O órgão também demonstrou preocupação com a possibilidade de desvio de patrimônio, diante da repercussão do caso.
A Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais instaurou procedimento para apurar a conduta da delegada quanto à guarda da arma de fogo. Ana Paula, em depoimento, afirmou não ter ciência do uso da pistola pelo marido.
Família em luto e cobrança por justiça
O crime gerou forte comoção. Familiares e amigos de Laudemir prestaram homenagens durante o velório em Contagem. A esposa, Liliane França, emocionada, cobrou justiça:
“O Lau não voltou. Me devolveram ele no caixão. Não pode ficar assim, tem que haver mudança, tem que haver justiça.”
Colegas de trabalho e representantes da empresa Localix, onde Laudemir trabalhava, também pediram responsabilização. “Estamos clamando por justiça. A nossa categoria é muito forte. Então, não mexa com os garis”, disse Ivanildo Gualberto Lopes, sócio-proprietário da empresa.
Situação atual do caso
Renê foi indiciado por homicídio duplamente qualificado e por ameaça à motorista do caminhão. Ele segue preso preventivamente. Sua defesa renunciou ao caso após a divulgação de vídeos que mostraram o empresário levando uma rotina normal logo após o assassinato.
A Justiça ainda vai analisar o pedido do MP sobre o bloqueio de bens e a inclusão da delegada Ana Paula como corresponsável no processo.