
A Justiça de Minas Gerais decidiu que o advogado Raul Rodrigues Costa Lages será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusado de matar a companheira, a também advogada Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, em junho de 2022, no bairro São Bento, em Belo Horizonte. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do 1º Tribunal do Júri da Comarca da Capital.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o réu responderá por homicídio qualificado por motivo torpe (sentimento de posse), recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio, cometido em contexto de violência doméstica.
Conforme a investigação, o crime teria ocorrido na noite de 8 de junho de 2022, quando o advogado agrediu a companheira e a lançou do 8º andar do prédio onde moravam. A acusação sustenta que o crime foi motivado pelo inconformismo com o fim do relacionamento.
Versão da defesa e decisão da Justiça
A defesa de Raul Lages negou as acusações e pediu a absolvição ou impronúncia, alegando que ele estava no elevador no momento da queda da vítima.
No entanto, o laudo de cronologia e deslocamento apresentado pela perícia contradiz a versão do acusado: segundo o documento, o réu estava no 8º andar no momento da queda e permaneceu no local por cerca de quatro minutos após o corpo atingir o solo.
A juíza destacou que há indícios suficientes de autoria e materialidade para o caso ser levado ao júri popular, onde o conjunto de provas será analisado de forma mais aprofundada.
Apesar disso, foi concedido ao advogado o direito de responder ao processo em liberdade até o julgamento final.
Após o prazo de recurso, se a decisão for mantida, o processo será redistribuído a um dos Tribunais do Júri de Belo Horizonte.