
Um mês após as fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata Mineira, o morador Gilvan Leal Luzia, de 55 anos, ainda vive em meio aos escombros da própria casa na comunidade Três Moinhos, em Juiz de Fora. A residência foi destruída por lama durante os deslizamentos registrados na noite de 23 de fevereiro, que deixaram dezenas de mortos na região.
Desde então, Gilvan improvisou um abrigo na garagem do que restou do imóvel. Ele dorme em um colchão, protegido por um teto improvisado com pedaços de telha, colchonete e materiais retirados dos destroços. Ao redor, o cenário é de destruição, com parte do carro soterrada e a casa completamente comprometida.
O morador relembra que escapou por pouco da tragédia. Segundo ele, no momento do deslizamento, havia a intenção de entrar na residência para buscar documentos, mas foi alertado por um familiar. Instantes depois, a estrutura cedeu.
A situação de Gilvan se agrava por questões de saúde. Ele sofreu um infarto recentemente e afirma não poder realizar esforço físico, mas continua trabalhando de forma informal para sobreviver. Sem ter para onde ir, optou por permanecer no local, mesmo com risco de novas chuvas.
Na mesma comunidade, outros moradores também enfrentam dificuldades. A feirante Kasciany Pozzi Bispo, de 36 anos, relata que perdeu completamente a renda após os acessos à região serem comprometidos. Dependente da venda de cana-de-açúcar, ela afirma que não consegue escoar a produção, já que veículos não conseguem circular.
A casa onde vivia foi interditada, assim como imóveis vizinhos. Além das perdas materiais, a rotina das famílias também foi impactada, incluindo crianças que estão sem frequentar a escola ou sendo direcionadas para unidades mais distantes.
Moradores relatam sensação de abandono e afirmam que a própria comunidade tem se mobilizado para limpar ruas e tentar retomar a rotina. Sem definição sobre a liberação da área ou planos de reassentamento, muitos tentam reconstruir por conta própria, mesmo sem recursos.
Enquanto isso, Gilvan segue no local onde sempre viveu, tentando reorganizar a vida em meio à destruição e à incerteza sobre o futuro.























