
O Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, conhecido nacionalmente pelas graves violações de direitos humanos cometidas ao longo do século passado, entra agora na fase final de encerramento definitivo das atividades.
Segundo reportagem publicada por O TEMPO, os últimos 14 pacientes que ainda permaneciam internados começaram a ser transferidos para residências terapêuticas, marcando o “apagar das luzes” do antigo manicômio.
Fundado em 1903, o Hospital Colônia ficou marcado como símbolo da política de isolamento psiquiátrico no Brasil. Estimativas apontam que mais de 60 mil pessoas morreram no local ao longo das décadas, muitas delas sem sequer possuir diagnóstico de transtorno mental.
Relatos históricos apontam que o hospital recebeu pessoas consideradas “indesejadas” pela sociedade da época, incluindo mulheres, pobres, alcoólatras, homossexuais, órfãos e pessoas abandonadas pelas famílias.
As denúncias envolvendo o Colônia ganharam repercussão nacional após investigações jornalísticas revelarem casos de superlotação, fome, abandono, eletrochoques, violência física e condições desumanas dentro da instituição.
Segundo O TEMPO, os últimos moradores possuem idade avançada e muitos passaram praticamente toda a vida dentro da instituição psiquiátrica. O mais idoso tem 91 anos e viveu 64 deles no hospital.
O encerramento definitivo acontece 25 anos após a Reforma Psiquiátrica Brasileira, instituída pela Lei 10.216 de 2001, que buscou substituir o modelo manicomial por tratamentos humanizados e reintegração social dos pacientes.
Atualmente, parte da estrutura abriga o Museu da Loucura, criado para preservar a memória das vítimas e manter viva a discussão sobre saúde mental e direitos humanos no país.
Fonte: O Tempo