
No dia em que o Brasil relembra a execução de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, uma parte pouco conhecida de sua trajetória ganha destaque: sua passagem por Sete Lagoas. Graças à obra “Tiradentes em Sete Lagoas”, do jornalista, advogado, escritor e historiador Márcio Vicente Silveira Santos (1932-2019), a história local ganha um novo capítulo no contexto da luta pela liberdade.
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Publicado em 2010, o livro revela que Tiradentes esteve em Sete Lagoas entre 22 de abril de 1780 e 23 de junho de 1781, como comandante do Quartel do Sertão. Mais do que uma simples passagem, o Alferes teve papel fundamental na guarda do Registro local, considerado à época uma das portas de entrada para o Médio Vale do São Francisco. O quartel, instalado no povoado que se formava, era um importante ponto estratégico para o controle fiscal e militar da Capitania de Minas Gerais.
A permanência de Tiradentes em Sete Lagoas era, até então, pouco explorada pelos historiadores, com registros escassos e interpretações imprecisas. Muitas vezes reduzida a meras menções, como “pernoitou no Casarão” ou “veio batizar o filho de um comandante”, a passagem do inconfidente acabou sendo ofuscada por sua atuação posterior no movimento que culminou em sua condenação e morte em 1792.
Márcio Vicente mergulhou em acervos como o Arquivo Público Mineiro, a Casa dos Contos (Ouro Preto) e a Biblioteca Nacional para reunir provas documentais que confirmam o papel de Tiradentes em Sete Lagoas. O autor, que chegou a acompanhar de perto o historiador Jovelino Lanza em suas pesquisas, resgatou recibos assinados pelo próprio Alferes durante sua permanência no comando militar da cidade. Seu livro não é uma obra acadêmica tradicional, mas um livro-reportagem que convida o leitor a redescobrir um capítulo quase apagado da história mineira.
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Para Márcio Vicente, dar visibilidade à presença de Tiradentes em Sete Lagoas é também valorizar o papel da cidade no cenário político-militar que moldou Minas Gerais. Sua obra representa uma contribuição inestimável para o debate histórico, oferecendo novas fontes e interpretações que podem, inclusive, inspirar pesquisadores acadêmicos a aprofundar o tema.
Hoje, ao lembrar Tiradentes, é justo também lembrar que ele fez parte da história de Sete Lagoas. Seu legado de coragem, luta por liberdade e compromisso com a justiça também passou pelas terras do Sertão mineiro, deixando marcas que, agora, começam a ser redescobertas.
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