Megaoperação no Alemão e na Penha contra o Comando Vermelho deixa 60 mortos e 81 presos; confronto paralisa o Rio de Janeiro

Ação mobilizou 2.500 agentes e é a mais letal da história do estado; criminosos reagem com barricadas e ataques em várias regiões.

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Foto registrada no local

Uma megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou 60 mortos — entre eles quatro policiais — e 81 pessoas presas, segundo dados confirmados pelo Palácio Guanabara. A ação, considerada a mais letal da história do estado, faz parte da Operação Contenção, voltada ao combate ao avanço do Comando Vermelho (CV) em territórios fluminenses.

Desde as primeiras horas da madrugada, cerca de 2.500 agentes das forças de segurança estadual — incluindo Bope, Polícia Civil e PM — foram mobilizados para cumprir 100 mandados de prisão. A chegada das equipes foi recebida a tiros por traficantes, que também ergueram barricadas em chamas. Vídeos registraram rajadas de quase 200 disparos em apenas um minuto, além de colunas de fumaça que cobriram a região.

A Polícia Civil informou que criminosos lançaram bombas com drones em retaliação e que alguns fugiram em fila pela parte alta das comunidades — uma cena que remete à ocupação do Alemão em 2010.

Quatro policiais mortos e dezenas de feridos

Entre os mortos estão quatro policiais:

  • Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho (Máskara), 51 anos, recém-promovido chefe de investigação da 53ª DP (Mesquita);
  • Rodrigo Velloso Cabral, 34 anos, da 39ª DP (Pavuna);
  • Cleiton Serafim Gonçalves, do Bope;
  • Herbert, também do Bope.

Além dos confrontos, três pessoas inocentes foram atingidas por balas perdidas: um homem em situação de rua, ferido nas costas; uma mulher que estava em uma academia; e um trabalhador de um ferro-velho.

Reação do tráfico e caos na cidade

Durante a tarde, o tráfico orquestrou represálias em vários pontos da cidade, com bloqueios e incêndios de veículos em vias importantes, como Linha Amarela, Grajaú-Jacarepaguá e Rua Dias da Cruz (Méier). O Centro de Operações do Rio (COR) elevou o nível operacional para estágio 2 e a Polícia Militar determinou que todo o efetivo fosse para as ruas, suspendendo atividades administrativas.

Prisões e apreensões

O balanço parcial aponta 81 prisões, além da apreensão de 75 fuzis, 2 pistolas e 9 motocicletas. Entre os capturados estão Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, um dos chefes do CV na região, e Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso, considerado um dos principais líderes da facção.

Declaração oficial

O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, afirmou que a operação foi planejada com antecedência, sem apoio federal:

“Toda essa logística é do próprio estado. São aproximadamente 9 milhões de metros quadrados de desordem no Rio de Janeiro. Lamentamos profundamente as pessoas feridas, mas essa é uma ação necessária, planejada e que vai continuar”, disse o secretário, ressaltando que cerca de 280 mil pessoas vivem nas áreas afetadas.

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