
A implantação do Core Saúde MG, o novo sistema estadual de regulação de leitos e transferências do SUS, está gerando caos nas unidades de saúde de Minas Gerais. Desde maio de 2026, quando substituiu o SUS Fácil, o sistema acumula denúncias de lentidão, travamentos e falhas operacionais que deixam pacientes em longa esperas nas UPAs e corredores de hospitais por horas ou dias.
O Core Saúde MG foi lançado como uma moderna ferramenta digital para gerenciar vagas hospitalares, transferências inter-hospitalares e acesso a serviços de média e alta complexidade. O governo destaca o uso de inteligência artificial para priorizar casos e a atualização frequente do mapa de leitos.
No entanto, a transição abrupta tem provocado o efeito contrário: atrasos generalizados que sobrecarregam a rede de urgência e emergência.
Parlamentares da ALMG que visitaram a Central de Regulação relataram problemas graves. “Ficou nítido que o sistema Core não foi preparado para ser implantado corretamente no Estado.
Há hospitais não treinados e todo o histórico do paciente no SUS Fácil não foi incorporado ao novo sistema”, afirmou o deputado Lucas Lasmar. Entre as falhas mais citadas estão a falta de integração entre os sistemas antigos e novos, ausência de treinamento adequado para reguladores e equipes hospitalares, travamentos frequentes e direcionamentos
inadequados de pacientes — inclusive para distâncias de centenas de quilômetros quando havia opções mais próximas. Uma decisão judicial chegou a determinar a suspensão do Core, mas o sistema continuou operando.
O impacto é visível nas portas das UPAs.
No Sul de Minas, a UPA de São Sebastião do Paraíso registra esperas de até 30 horas por regulação. “É desespero”, relatou um familiar de paciente com suspeita de AVC.
Em Passos, a UPA chegou a ter 42 pacientes internados aguardando vaga por até uma semana, segundo a coordenadora de enfermagem Gelza Silva Macedo. Pacientes ocupam macas nos corredores, em poltronas e cadeiras, comprometendo o atendimento de novos casos de urgência.
Essa superlotação reflete um problema maior: a transição mal planejada transformou um gargalo crônico em crise aguda.
Em vez de agilizar o fluxo, o novo sistema está travando transferências, sobrecarregando equipes e colocando vidas em risco.
O governo estadual reconhece dificuldades iniciais, mas afirma que as falhas estão sendo corrigidas e que o sistema aumenta a transparência. Capacitações continuam em parceria com municípios.
Prefeitos e secretáriosmunicipais, porém, seguem cobrando soluções urgentes. Enquanto o debate continua nas esferas política e judicial, pacientes mineiros pagam o preço nas filas e corredores das unidades de saúde.
Fontes: G1, ALMG, AMM e relatos de gestores locais. Matéria baseada em pesquisa realizada em julho de 2026.





















