MG-424: acidentes reacendem debate sobre a necessidade de duplicação da rodovia

Após novas mortes registradas na rodovia, moradores voltam a cobrar investimentos em uma das principais ligações entre Sete Lagoas e a Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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Foto: Ilustrativa

Os recentes acidentes com vítimas fatais registrados na MG-424 voltaram a colocar em evidência um debate que se arrasta há anos: a necessidade da duplicação da rodovia. Somente nos últimos dias, duas ocorrências graves deixaram mortos em trechos da estrada, reforçando as cobranças por melhorias na infraestrutura e mais segurança para quem utiliza a via diariamente.

Na manhã desta segunda-feira (13), um grave acidente foi registrado na Avenida Minas Gerais, em Matozinhos, trecho que dá continuidade à MG-424. De acordo com as primeiras informações, os ocupantes de um veículo morreram no local. As circunstâncias da batida ainda serão apuradas pelas autoridades, mas a ocorrência voltou a mobilizar equipes de resgate e provocou impactos no trânsito da região.

O novo acidente acontece poucos dias após a morte do morador de Sete Lagoas Rodrigo Matias, de 39 anos, registrada na manhã da última quarta-feira (9), no km 42 da MG-424, em Prudente de Morais. Na ocasião, segundo a Polícia Militar Rodoviária, a condutora de um Volkswagen T-Cross relatou que desviou a atenção para abrir a janela do veículo e acabou invadindo a contramão, atingindo frontalmente o GM Celta conduzido pela vítima. Após a colisão, o Celta ainda foi atingido por um Fiat Siena que seguia logo atrás. Rodrigo morreu no local e os outros dois motoristas ficaram feridos.

Apesar de o projeto de duplicação ter avançado dentro do plano de concessões do Governo de Minas, o processo perdeu força após uma intensa mobilização política e popular contra a instalação de pedágios ao longo da rodovia.

Lideranças políticas que representam municípios do Vetor Norte, como Pedro Leopoldo, Lagoa Santa, Vespasiano, Confins, São José da Lapa, Matozinhos e Prudente de Morais, abraçaram a pauta contrária ao modelo de concessão apresentado pelo Estado. Prefeitos, vereadores e deputados defenderam que a população da região, que utiliza diariamente a MG-424 para trabalhar, estudar e acessar serviços de saúde, não poderia ser penalizada com a cobrança de tarifas de pedágio.

Com a forte resistência ao modelo proposto, o projeto passou a enfrentar sucessivos impasses. O Governo de Minas, que pretendia conceder a rodovia à iniciativa privada para viabilizar investimentos como a duplicação, implantação de faixas adicionais, melhorias em acessos e dispositivos de segurança, posteriormente retirou o edital para reavaliação. Desde então, a obra permanece sem definição.

A MG-424 é considerada uma das principais rodovias de ligação entre Sete Lagoas, o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte e o Aeroporto Internacional de Confins. Além do intenso fluxo de veículos de passeio, a estrada recebe diariamente caminhões, ônibus e veículos de carga, tornando-se um corredor estratégico para a economia mineira.

Em diversos trechos, no entanto, a rodovia ainda possui pista simples, com poucos pontos de ultrapassagem, acostamentos reduzidos e cruzamentos em nível. Especialistas apontam que essas características aumentam o risco de colisões frontais, principalmente em locais de grande movimentação.

Embora o projeto de duplicação ainda não tenha previsão para sair do papel, a sequência de acidentes com vítimas fatais registrada nos últimos dias reforça a cobrança de moradores, motoristas e usuários da MG-424 por uma solução definitiva. Para quem utiliza a estrada diariamente, a expectativa é que o debate avance e que os investimentos necessários sejam retomados, independentemente do modelo escolhido para viabilizar as obras.

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