Possível tarifaço dos EUA coloca siderúrgicas de Sete Lagoas em estado de alerta

Principal polo produtor de ferro-gusa do Brasil, Sete Lagoas pode ser uma das cidades mais impactadas caso os Estados Unidos confirmem novas tarifas sobre o produto brasileiro.

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Foto: Divulgação

A possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre o ferro-gusa brasileiro acendeu um sinal de alerta na indústria nacional e, principalmente, em Sete Lagoas. O município, considerado o maior polo produtor de ferro-gusa do país, poderá sentir diretamente os impactos caso a medida entre em vigor.

Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), até 55% das usinas brasileiras de ferro-gusa podem interromper as atividades caso as novas tarifas sejam confirmadas. A preocupação é que o aumento da taxação torne o produto brasileiro menos competitivo no mercado norte-americano, principal destino das exportações.

O alerta é ainda maior em Sete Lagoas, onde estão concentradas 21 das 48 usinas de ferro-gusa de Minas Gerais. A cidade possui uma economia fortemente ligada ao setor siderúrgico, responsável por milhares de empregos diretos e indiretos, além de movimentar diversos segmentos como transporte, reflorestamento, produção de carvão vegetal, manutenção industrial e prestação de serviços.

De acordo com o Sindifer, cerca de 80% do ferro-gusa exportado pelo Brasil tem como destino os Estados Unidos. Caso o mercado americano reduza as compras em razão das novas tarifas, a tendência é de queda na produção, redução das exportações e impactos em toda a cadeia produtiva.

O setor estima que a carga tributária sobre o ferro-gusa brasileiro poderá chegar a 37,5%, caso as medidas propostas pelos Estados Unidos sejam aprovadas. A indústria mineira tenta reverter a situação por meio de negociações e audiências públicas que serão realizadas antes da decisão definitiva.

Embora ainda não exista confirmação de paralisações em empresas de Sete Lagoas, o cenário preocupa empresários e trabalhadores do setor. Uma eventual redução nas exportações pode afetar diretamente a atividade das siderúrgicas instaladas no município, considerado estratégico para a produção nacional de ferro-gusa.

Além dos reflexos sobre a indústria, especialistas alertam que uma desaceleração do setor pode impactar a economia local, reduzindo a geração de empregos, a arrecadação de impostos e a movimentação de empresas que dependem da cadeia siderúrgica.

A expectativa agora é pela definição das autoridades norte-americanas e pelas negociações conduzidas pelo governo brasileiro e representantes da indústria, na tentativa de evitar prejuízos para um dos setores mais importantes da economia mineira.

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