
As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros impostas pelos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira (22). A medida foi confirmada pelo governo americano após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Com a decisão, o Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China. Segundo estimativas do governo brasileiro, cerca de 21% das exportações nacionais para o mercado americano poderão ser afetadas.
De acordo com o relatório do USTR, a decisão foi motivada por questionamentos relacionados às políticas brasileiras de comércio digital, etanol, combate à corrupção, proteção de patentes, pirataria e desmatamento ilegal. O documento também faz referências ao sistema de pagamentos Pix, ao mercado de etanol e a decisões do Supremo Tribunal Federal envolvendo plataformas digitais.
Inicialmente, a nova tarifa se soma à alíquota global de 10% aplicada pelos Estados Unidos a diversos países. No entanto, essa cobrança adicional deverá expirar ainda neste mês, reduzindo a incidência total sobre os produtos brasileiros.
A lista de exceções divulgada pelo governo americano inclui mais de 2.100 itens. Entre os produtos isentos estão carne, café, laranja, peças para fabricação de aeronaves, ferro-gusa, determinados produtos de madeira, sucata, couros e hidróxido de alumínio.
Antes da entrada em vigor da medida, empresas americanas e multinacionais, como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens Energy, manifestaram preocupação com os impactos nas cadeias de suprimentos e no aumento dos custos para consumidores dos Estados Unidos.
O governo brasileiro informou que pretende utilizar a Lei da Reciprocidade, aprovada em 2025, e também recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Paralelamente, segue negociando com autoridades americanas e prepara medidas de apoio aos setores mais afetados pelas tarifas.






















