Carreata de São Cristóvão em Sete Lagoas tem histórico de baderna e homicídio e pode chegar ao fim

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Foto: Divulgação

A carreata em homenagem a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, realizada anualmente em Sete Lagoas, tem sido marcada nos últimos anos por episódios de desordem, violência e descaso com as leis de trânsito. Sem organização formal da Prefeitura Municipal, o evento se transformou em sinônimo de excessos – com consumo de bebida alcoólica, buzinaços descontrolados, carros de som importunando o silêncio, manobras perigosas e reiteradas infrações.

Em 2023, um homem foi assassinado durante a celebração. Neste ano, no último domingo (27/07), um agente da Guarda Civil Municipal foi atropelado e o condutor de um caminhão, que desobedeceu a ordem de parada, foi alvejado e morreu no hospital.

O caso de 2023 ocorreu no dia 30 de julho, quando Deivid Pereira do Amaral, de 28 anos, foi atingido por disparos de arma de fogo nas imediações da Igreja de São Cristóvão. A vítima, que estava com outras famílias, foi atingida no ombro e nas costas e faleceu após ser socorrida. O atirador, que usava máscara, fugiu e nunca foi preso. Na mesma ocasião, uma mulher que participava da procissão foi baleada na perna.

As carreatas são marcadas por caminhões de grande porte, consumo excessivo de álcool e muita algazarra, causando insegurança aos moradores. Uma moradora do bairro São Cristóvão, que preferiu não se identificar, afirmou: “Mistura perigosa: álcool e volante. Todo ano é assim!”

O mecânico M.J.M, também devoto de São Cristóvão, relatou que deixou de participar da carreata com seu veículo há pelo menos cinco anos. “O que era pra ser uma celebração virou bagunça: buzinaço em locais inadequados, várias infrações, desrespeito às autoridades e muita bebida”, pontuou.

Neste ano, no domingo (27/07), o evento transcorria normalmente até que excessos por parte de alguns participantes começaram a comprometer a segurança do público. Foram observadas infrações de trânsito, consumo de álcool por condutores e comportamentos que colocavam em risco idosos, crianças e famílias presentes.

A Guarda Civil Municipal informou, por meio de nota, que entrou em contato com os organizadores, solicitando o encerramento da carreata às 14h para evitar maiores transtornos. A orientação foi seguida e, às 14h05, uma viatura foi posicionada para impedir o retorno de veículos ao trajeto.

No entanto, um condutor de caminhão desobedeceu ao bloqueio, subindo na calçada e passando em alta velocidade ao lado da viatura. Em nova tentativa de abordagem, o motorista avançou contra um agente da Guarda, atropelando-o e passando sobre sua perna. Depois, ainda deu marcha à ré em direção ao servidor caído.

Diante do risco à vida do agente e dos presentes, os guardas efetuaram disparos com arma de fogo. O condutor foi socorrido no local, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Municipal.

Clamor por mudanças
Diante da sequência de episódios trágicos, cresce o apelo popular pelo fim da carreata nos moldes atuais. Uma fonte anônima, próxima à paróquia local, desabafou: “A fé pode e deve ser expressa. Mas é hora de acabar com a carreata. Que haja uma procissão, com respeito e sem excessos. O que temos visto nos últimos anos são tragédias anunciadas.”

Investigação em andamento
A Prefeitura de Sete Lagoas declarou não ser responsável pela organização do evento. O prefeito Douglas Melo anunciou o afastamento dos dois agentes envolvidos no episódio até a conclusão do inquérito da Polícia Civil, que já está em andamento.

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