PF diz que família Vorcaro tentou comprar silêncio de parentes do Sicário após ameaças de revelação de arquivos

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Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário

Documentos tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revelam que a Polícia Federal identificou indícios de uma suposta tentativa de compra de silêncio de familiares de Luiz Phillipi Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, personagem apontado pelos investigadores como integrante de uma organização criminosa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

As informações constam em relatórios encaminhados ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Segundo a PF, mensagens recuperadas durante a investigação mostram que a irmã de Phillipi, Joana Machado de Moraes Mourão, afirmava possuir arquivos e informações capazes de comprometer membros da família Vorcaro e outros investigados.

De acordo com os investigadores, as mensagens foram enviadas após a morte de Phillipi, ocorrida em março de 2026. Ele morreu dois dias após ser preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, o homem foi encontrado morto em uma cela da corporação, em Belo Horizonte.

Nas conversas analisadas, Joana relatava dificuldades financeiras e demonstrava insatisfação com o que classificava como abandono por parte de pessoas ligadas aos Vorcaro após a morte do irmão. Em uma das mensagens, ela afirmou possuir “material para acabar com a família inteira”.

A Polícia Federal acredita que a referência poderia estar relacionada a conteúdos armazenados em contas digitais utilizadas por Phillipi. Em outro diálogo, um familiar menciona que Joana teria acessado arquivos na nuvem do irmão e encontrado informações consideradas relevantes.

Os investigadores identificaram ainda encontros entre familiares de Phillipi e pessoas apontadas como integrantes da estrutura de apoio dos Vorcaro. Segundo a PF, durante essas reuniões teriam sido discutidas formas de resolver questões financeiras envolvendo a família do homem morto.

Relatórios da investigação apontam que, após as conversas, foram iniciadas tratativas para formalização de contratos e possíveis repasses financeiros. A Polícia Federal suspeita que as negociações tenham ocorrido em meio às ameaças de divulgação de informações consideradas sensíveis para os investigados.

As apurações também citam Manoel Rodrigues, conhecido como “Manolo”, apontado pela PF como integrante de um grupo que atuaria na proteção de interesses da organização investigada. Segundo o relatório, ele teria intermediado contatos entre os familiares de Phillipi e pessoas ligadas aos Vorcaro.

A defesa dos investigados nega irregularidades e o caso segue em análise no Supremo Tribunal Federal. A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes relacionados ao Banco Master.

Os fatos ainda são objeto de investigação e não há condenação definitiva em relação às acusações apresentadas pela Polícia Federal.

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